Florianópolis e suas belezas

O Sul do Brasil é um lugar muito belo para se conhecer. Em Santa Catarina, se
destaca a cidade de Florianópolis, capital do Estado, ou Floripa para os mais íntimos.
Espalhado entre a ilha de Santa Catarina, uma parte continental e outras pequenas ilhas, o
município se encontra na rota do turismo nacional e internacional, contendo inúmeras
belezas naturais e históricas.

Já chegou a ser considerado o “destino do ano”, em 2009, pelo jornal norte-
americano The New York Times. Conhecida por sua alta qualidade de vida, Floripa goza do
status de ser a capital com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil
(0,847 de 1). Além disso, constou na lista de “cidades criativas” elaborada pela UNESCO
em 2014, junto com Curitiba, capital do Paraná.

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Para quem procura sossego e agito, história e cultura, natureza e paz, é um dos
destinos mais indicados no Sul do país, sem mencionar que é também um dos mais belos!

HISTÓRIA DA CIDADE
As peculiaridades de Florianópolis começam pela sua história. Registros
antiquíssimos nos informam a presença do “Homem do Sambaqui” na região desde 4800
a.C. Depois, foi ocupada por povos indígenas tapuias, e em seguida pelos povos do tronco
linguístico tupi vindos da Amazônia. Um dos povos desse tronco, os carijós, habitavam o
local quando da chegada dos europeus, no século XVI. Esse mesmo povo veio a ser
escravizado por colonos portugueses advindos de São Vicente.

Mas foi apenas em 1673 que o bandeirante Francisco Dias Velho começou o
povoamento da ilha, a princípio fazendo parte da vila de Laguna, fundando Nossa Senhora
do Desterro, que viria a se tornar Florianópolis. Constam dessa época naufrágios de
embarcações que hoje são estudadas por projetos de arqueologia locais.

Foi só em 1726 que o povoado adquiriu status de vila separada da de Laguna. A
população aumentou com o fluxo de paulistas e vicentistas para o local, além da grande
migração de açorianos, estimulada pela Coroa Portuguesa. Também contribuiu para tanto a
ocupação militar a partir de 1737, com a construção de fortalezas, dada a importância
estratégica da posição para a defesa dos domínios portugueses no sul brasileiro.

Em 1823, Desterro se tornou a capital do Estado de Santa Catarina e passou a
receber investimentos federais para melhorias urbanas, como obras no porto e construção
de edifícios públicos. A visita de D. Pedro II em 1845 marcou a região. Já no final do século
XIX, com a proclamação da República, a Revolução Federalista levou à cidade tropas dos
dois lados do conflito. Com a vitória do exército federal, a cidade passou a se chamar
Florianópolis (“cidade de Floriano Peixoto”, segundo presidente do Brasil).

NATUREZA
Com clima típico do litoral do sul, Florianópolis é a terceira capital mais fria do país
(fica atrás apenas de Curitiba e Porto Alegre). As temperaturas chegam, em média, no
verão, a 28 ºC e, no inverno, a 13 ºC. Por se tratar de uma ilha (a “Ilha da Magia”), a capital
catarinense possui cerca de 100 praias, algumas deslumbrantemente bonitas.

Por exemplo, a Praia Lagoinha de Leste, provavelmente a praia mais selvagem da
região, por ser a mais isolada. Essa característica alimenta lendas urbanas que sugerem
que ela é usada por bruxas para rituais. De difícil acesso, só se pode chegar lá de barco ou

a pé, por uma trilha que parte da Praia do Matadeiro. As águas são quentes e escuras, e as
ondas, fortes.

Nessa linha, a Ilha do Campeche, defronte a Praia do Campeche, também é muito
agradável. Cercada por morros de Mata Atlântica e envolvida por um mar de cor entre o
azul e o verde, ela é indicada para os entusiastas de história e arqueologia. Isso porque a
ilha é a que mais contém, dentre todas da região, inscrições rupestres. Há 10 sítios
arqueológicos, para os quais os monitores do IPHAN, que ajudam na conservação da ilha,
guiam excursões turísticas por taxas acessíveis.

Para quem curte um agito, a Praia Mole está entre as mais indicadas. Muito
frequentada por surfistas e pela juventude em geral, é orlada de bares e restaurantes, sem
falar nas festas que trazem música ao vivo e DJs. Além disso, no lado esquerdo da praia,
há uma região toda dedicada ao público LGBT.

Ainda para os agitadores, a Praia de Jurerê Internacional tem fama internacional
como um local badalado. Já foi mencionada pelo The New York Times como melhor destino
no litoral brasileiro. Apelidada de “Miami brasileira”, é repleta de restaurantes e bares de
luxo, bem como resorts e beach clubs, e festa é o que não falta por lá. Como se não
bastasse, a água é ideal para banho, com temperaturas mornas no verão e ondas calmas.

Também não podemos esquecer da famosa Praia dos Ingleses, uma das mais
movimentadas da área. O nome vem do fato de um navio inglês ter encalhado na região. A
praia recebe turistas de todas as partes do mundo, sendo muito movimentada durante a alta
temporada. Acolhe todos os gostos, desde surfistas, que preferem o lado esquerdo da praia
com suas ondas mais fortes, e famílias, que podem aproveitar as festas religiosas e
apresentações folclóricas no inverno, até jovens em busca de badalo, com sua grande
oferta de bares, shows e casas noturnas.

Para os interessados em história, uma tour pelas fortalezas antigas é um dos
principais atrativos. Construídas em sua maioria no século XVIII, hoje restam apenas oito,
nem todas intactas. Compunham o que se chamou de Sistema Defensivo de Silva Paes, em
homenagem ao engenheiro militar e primeiro governador da Capitania de Santa Catarina,
responsável pela sua construção. Serviam para a proteção da região contra invasões das
outras potências da época, principalmente a Espanha. Curiosamente, as fortalezas no norte
da ilha fracassaram na defesa do território no único conflito em que se envolveram. A ilha foi
invadida em 1777 por tropas espanholas comandadas por Dom Zeballos. As fortalezas
foram rendidas sem luta e a povoação de Desterro, conquistada. Eventualmente a ilha foi
devolvida à Coroa Portuguesa pelo Tratado de Santo Ildefonso, com a ressalva de que
Portugal não poderia usar a ilha como base naval, nem mesmo em caráter transitório.